RNP participa do Rio Innovation Week com debates sobre inovação, indústria e blockchain

agosto 6, 2026
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Presença de representantes da organização em três painéis abordou intraempreendedorismo, ambientes de experimentação para reduzir riscos na inovação e usos de blockchain para rastreabilidade e confiança 

A RNP participou do Rio Innovation Week, nos dias 4 e 5 de agosto, com representantes em três painéis da programação. Em comum, as discussões evidenciaram a atuação da organização em frentes que conectam inovação, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico. 

Na terça-feira (4), o coordenador de Inovação Corporativa da RNP, Felipe Nascimento, integrou um painel sobre intraempreendedorismo e discutiu como criar condições mais favoráveis ao surgimento e ao amadurecimento de novas ideias dentro das organizações. 

Ao compartilhar a experiência da RNP, Felipe destacou que, antes de buscar soluções, é necessário definir com clareza o problema a ser enfrentado. Segundo ele, hackathons e processos de experimentação cumprem melhor seu papel quando ajudam a estruturar desafios e oportunidades de forma consistente, criando bases mais sólidas para a inovação. 

O debate também abordou entraves recorrentes, como a concentração da responsabilidade pela inovação apenas nas áreas especializadas e a dificuldade de sustentar iniciativas ao longo do processo. Nesse contexto, o coordenador chamou atenção para a importância de distribuir esse compromisso entre outras equipes e lideranças, além de reforçar a necessidade de segurança psicológica para que os colaboradores possam propor, testar e rever caminhos sem paralisia diante do erro. 

Ao comentar o uso de inteligência artificial generativa, ele ponderou que a tecnologia, isoladamente, não resolve o problema da inovação. Na avaliação do coordenador, boas ideias e capacidade de prototipação seguem sendo decisivas para que projetos avancem. Como síntese, defendeu que o mais importante é começar entendendo que mesmo tentativas que não prosperam podem gerar aprendizado para os ciclos seguintes. 

Testbeds e inovação aberta para reduzir riscos 

Também durante o evento, na quarta-feira (5/8), o gerente de Inovação Tecnológica da RNP, Rafael Valle, e o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da RNP, Leandro Mondin, participaram do painel “Como reduzir riscos para impulsionar a Nova Indústria Brasil (NIB)”. 

A conversa tratou do papel da inovação aberta, dos ambientes de experimentação e da cooperação entre academia, startups e empresas na transformação do conhecimento científico em soluções para o mercado. Lançada pelo Governo Federal, a Nova Indústria Brasil é a política industrial voltada ao fortalecimento da competitividade do país por meio da inovação, da transformação digital, da sustentabilidade e do desenvolvimento de tecnologias estratégicas. 

Durante o debate, Rafael Valle observou que a RNP atua há mais de duas décadas promovendo conexões entre universidades, centros de pesquisa, empresas e startups, antes mesmo de o conceito de inovação aberta ganhar centralidade. Para ele, o país reúne produção científica de excelência, mas ainda precisa ampliar sua capacidade de converter conhecimento em produtos e serviços inovadores. 

“O pesquisador brasileiro é muito bom em escrever artigos. A produção científica nacional tem destaque. Mas ainda precisamos fortalecer os mecanismos para transformar esse conhecimento em produtos”, afirmou. 

Na mesma direção, Leandro Mondin ressaltou a relevância dos testbeds como ambientes de validação tecnológica em condições próximas às reais, permitindo testar soluções antes de sua adoção pelo mercado. Segundo o coordenador, embora os testbeds do Laboratório Nacional Multiusuário da RNP sejam utilizados principalmente por pesquisadores, ainda há espaço para ampliar a participação de startups nesses ambientes. 

“Os nossos testbeds ainda são pouco utilizados por startups. Passar por uma etapa de validação agrega valor ao produto e reduz riscos antes de sua chegada ao mercado”, comentou. 

Mondin citou aplicações em áreas como a cibersegurança, em que a experimentação prévia permite identificar vulnerabilidades e ampliar a confiabilidade das soluções antes do lançamento. Também destacou que a construção de uma infraestrutura nacional para dados e experimentação tecnológica está associada à soberania digital brasileira. 

Blockchain e rastreabilidade em diferentes contextos 

No mesmo dia, o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da RNP, Luiz Folly, participou do painel “Blockchain e Rastreabilidade: quando o dado científico vira ativo de mercado”, ao lado de Wilson S. Melo Jr., pesquisador do Inmetro, e Monica Vianna, CEO da SØLLYTCH e do Deep Tech Lab. 

A discussão mostrou como a blockchain pode fortalecer a rastreabilidade, a transparência e a confiança em diferentes contextos, para além das aplicações financeiras. Durante sua apresentação, Folly destacou o legado do Projeto ILIADA, executado pela RNP e pelo CPQD, sob coordenação da Softex e com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para fortalecimento do ecossistema de blockchain no país. 

“Qualquer tipo de informação que tenha algum valor pode ser candidata ao uso de blockchain”, explicou. 

Segundo ele, essa visão orientou a construção do projeto em três frentes complementares: o incentivo à pesquisa, desenvolvimento e inovação; a criação de um testbed para experimentação e validação de soluções em blockchain, hoje integrado ao Laboratório Nacional Multiusuário da RNP; e o Observatório Nacional de Blockchain, voltado à produção de informação qualificada sobre o ecossistema brasileiro e à articulação entre pesquisadores, empresas e gestores públicos. 

Folly também apresentou casos de uso desenvolvidos por instituições ligadas a esse ecossistema, como uma iniciativa da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) para rastreamento da produção da agricultura familiar e um projeto do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) voltado à gestão do espaço aéreo utilizado por drones. 

A startup SØLLYTCH foi mencionada como exemplo de aproximação entre pesquisa e empreendedorismo. Apoiada pelo Projeto ILIADA, a empresa desenvolve soluções para rastreamento químico com uso de blockchain. Segundo Monica Vianna, o apoio recebido foi decisivo para transformar uma demanda tecnológica em solução concreta. 

“Para startups e deep techs, as conexões são muito importantes. Nós não sabíamos de blockchain e procuramos o Inmetro e a RNP, que nos apoiaram no desenvolvimento da SØLLYTCH para rastreamento químico.” 

A participação da RNP no Rio Innovation Week reuniu, em diferentes frentes, temas que hoje são centrais para a inovação no país: formação de cultura organizacional, redução de risco na passagem da pesquisa para o mercado e construção de infraestruturas de confiança para novos usos tecnológicos.