Experiência realizada em Abelardo Luz (SC) demonstrou a viabilidade da tecnologia em ambiente educacional e amplia o conhecimento sobre novas possibilidades de conectividade para ensino, pesquisa e inovação.
Garantir conectividade confiável em instituições de ensino localizadas fora dos grandes centros urbanos ainda é um desafio que impacta atividades acadêmicas, administrativas e de pesquisa. Foi essa realidade que motivou a RNP a realizar uma prova de conceito de rede móvel privativa LTE (4G), concluída em agosto de 2026, no Instituto Federal Catarinense (IFC), Campus Abelardo Luz, em Santa Catarina.
Realizada em parceria com o IFC, o CPQD, a Q13 e outros parceiros tecnológicos, a PoC avaliou, em condições reais de operação, a viabilidade da tecnologia para ampliar as possibilidades de conectividade em ambientes educacionais e apoiar futuras aplicações em ensino, pesquisa e inovação.
Além disso, o projeto criou uma base concreta para iniciativas voltadas à mobilidade, automação, Internet das Coisas (IoT) e pesquisa aplicada.
Uma infraestrutura móvel dedicada para o ambiente acadêmico
O projeto demonstrou como uma rede móvel privativa pode ampliar a autonomia das instituições de ensino na gestão de sua conectividade, oferecendo maior controle, segurança e flexibilidade para atender demandas acadêmicas e administrativas.
Para isso, foi implantada uma rede LTE (4G) integrada ao Core LTE C2n do CPQD. A arquitetura integrou infraestrutura de rádio LTE, núcleo de rede móvel, mecanismos de segurança e enlaces redundantes de comunicação, criando um ambiente de experimentação capaz de reproduzir condições próximas às encontradas em uma operação real.

Testes em campo em ambientes internos e externos
Durante a PoC, equipes técnicas realizaram campanhas de medição em diferentes pontos do campus, contemplando áreas externas e ambientes internos. Os testes avaliaram cobertura e qualidade do sinal, velocidade de transmissão de dados, latência, autenticação dos dispositivos e funcionamento dos mecanismos de redundância da conectividade.
Também foram avaliadas a comunicação entre a estação rádio-base (eNodeB) e o Core LTE, a navegação por meio da rede privativa e a capacidade de operação da infraestrutura diante de mudanças entre os enlaces de comunicação.
Testes demonstram viabilidade da rede em ambiente educacional
A rede registrou velocidade média de download de 14,46 Mbps e upload de 6,07 Mbps, desempenho considerado compatível com aplicações típicas do ambiente acadêmico, como acesso a sistemas institucionais, navegação na internet e videoconferências. Os resultados demonstraram cobertura contínua em toda a área prevista para a prova de conceito, além de comunicação estável entre os dispositivos móveis e a infraestrutura implantada.
A PoC também validou com sucesso a comunicação com o Core LTE, o registro dos dispositivos móveis na rede, a navegação pela infraestrutura privativa e o funcionamento dos mecanismos de redundância entre os enlaces principal e secundário. A maior parte dos indicadores definidos para o projeto foi plenamente atendida.
Um passo importante para o futuro das redes privativas na educação
Em um cenário em que instituições de ensino e pesquisa demandam cada vez mais conectividade para suportar atividades acadêmicas, administrativas e de inovação, iniciativas como essa ajudam a avaliar novas alternativas tecnológicas capazes de expandir o acesso e aumentar a resiliência das redes utilizadas pela comunidade acadêmica.
Ao validar a arquitetura em condições reais de operação, a PoC fornece subsídios para novas iniciativas da RNP e de suas instituições parceiras interessadas em explorar modelos de conectividade móvel dedicados e alinhados às suas necessidades específicas.
A iniciativa permitiu utilizar o Campus Abelardo Luz como ambiente real de experimentação para redes privativas no ecossistema de educação e pesquisa. Os testes demonstram que a tecnologia pode representar uma alternativa estratégica para instituições que demandam maior controle sobre sua infraestrutura de conectividade, além de criar oportunidades para projetos de mobilidade, Internet das Coisas (IoT), automação, monitoramento e pesquisa aplicada.
“Realizar os testes em campo mostrou que a PoC de Rede Privativa 4G no IFC vai muito além da validação técnica da solução. Em uma instituição localizada no interior de Santa Catarina, onde a cobertura das redes móveis convencionais é limitada ou inexistente em algumas áreas, cada área alcançada pelo sinal representa a possibilidade de ampliar a mobilidade de alunos, professores, pesquisadores e equipes técnicas”, afirma Guilherme Henrique Martins Costa, engenheiro e analista de projetos da RNP.
A proposta não é substituir a fibra, mas ampliar a infraestrutura da RNP por meio da conectividade móvel, agregando alcance, mobilidade, complementaridade, redundância e resiliência e permitindo que a conectividade acompanhe as pessoas para além dos prédios e dos pontos atendidos pela infraestrutura cabeada. “No IFC – Campus Abelardo Luz, essa iniciativa também ganha uma dimensão social: contribui para reduzir uma barreira de conectividade e aproxima uma instituição do interior das mesmas possibilidades digitais disponíveis nos grandes centros. A experiência reforça que a rede acadêmica do futuro não termina na fibra”, complementa o engenheiro.