Mais de 300 participantes, 286 artigos submetidos — e um mapa que revela as conexões da cibersegurança brasileira. Terminou hoje (4), em Armação dos Búzios, o SBSeg 2026, com a RNP no centro da programação. Durante quatro dias, a rede acadêmica do país apresentou projetos de P&D em estande dedicado à comunidade, marcou presença na programação científica e nos comitês técnicos, debateu formação com a indústria e mobilizou mais de 100 visitantes na dinâmica “Missão RNP”.
Considerado um dos principais encontros de segurança da informação do país, o SBSeg 2026 promoveu workshops, sessões técnicas, palestras com convidados internacionais, competição Capture The Flag (CTF) e trilha da indústria. Além disso, a seleção entre os conteúdos ofertados foi acirrada: apenas 103 dos 286 artigos submetidos foram aceitos.
Presença científica que vai além da agenda
A atuação da RNP na programação do Simpósio foi além da ocupação de espaços na agenda: a organização ajudou a pautar discussões e levou ao público, na prática, o que desenvolve em suas frentes de pesquisa e capacitação. Foi o caso da demonstração do simulador CiberRange, realizada no segundo dia do evento. Desenvolvido no âmbito do Programa Hackers do Bem, o simulador permitiu que os participantes vivenciassem cenários de ataque e defesa em ambiente controlado. Uma amostra do modelo de capacitação que combina treinamento, simulação e desenvolvimento de competências para ampliar a autonomia do país em cibersegurança.
A pesquisa produzida pela organização também esteve em evidência. Kauane Cordeiro, analista de operação e sistemas da RNP, apresentou o trabalho “National Mapping of the Brazilian Academic Cybersecurity Community”, desenvolvido com Reinaldo Cézar de Morais, gerente de P&D em Cibersegurança da RNP. “O trabalho consiste em um workflow reprodutível de quatro fases para mapear a comunidade, que tem como principal resultado o mapa de cibersegurança, também apresentado no estande”, explicou Kauane. O estudo sintetiza o movimento da RNP no evento: pesquisa que nasce na academia e retorna para ela em forma de ferramenta.
A ponte entre ciência e mercado também esteve em pauta. No painel “Educação em Cibersegurança: Desafios e Oportunidades”, a diretora-adjunta de P&D da RNP, Michelle Wangham, debateu ao lado de representantes da PUC-PR, da Globo Comunicações e da Check Point como formar a próxima geração de especialistas, um tema que conecta a pesquisa desenvolvida pela organização à demanda real do setor produtivo.
A presença da RNP, porém, não se limitou a essas frentes. A organização também conduziu reuniões abertas de seus comitês técnicos, apresentou trabalhos na trilha da indústria, em workshops e no salão de ferramentas. Um retrato da capilaridade de atuação que vai da infraestrutura de alta velocidade à experimentação em blockchain e inteligência artificial.
Estande aproxima a RNP da comunidade acadêmica
Durante todo o evento, o estande da RNP funcionou como ponto de encontro entre pesquisadores, estudantes e profissionais do mercado, apresentando o Programa Hackers do Bem, a Rede Segura, o Testbed de Blockchain, os Mapas Interativos, o GidLab e a Rede de e-Ciência.
Para Michelle Wangham, o espaço cumpriu um papel duplo. “Estamos aqui para apresentar à comunidade acadêmica os projetos da RNP e como a organização atua, mas também para fazer essa troca — captar os insights da academia para os programas de P&D e para os serviços da RNP”, destacou.
A dinâmica “Missão RNP” convidou os visitantes do estande a percorrer três etapas: explorar as iniciativas de Pesquisa e Desenvolvimento, interagir com os Mapas Interativos e seguir os canais da RNP nas redes sociais. Cada missão cumprida rendia um selo para colar no crachá — e quem completasse as três concorria a brindes em sorteios diários. O resultado superou as expectativas. Mais de 100 participantes foram mobilizados. “Foi uma alegria ter esse contato tão próximo com pesquisadores, professores, alunos e profissionais do mercado”, celebrou Wangham.
Mapas conectam pessoas e infraestrutura
Os Mapas Interativos estiveram entre os atrativos mais procurados do estande. Gabriel Vassoler, analista de operação e sistemas da RNP, explicou o alcance da ferramenta. “Os mapas reúnem informações sobre a infraestrutura do Sistema RNP, projetos e iniciativas de cibersegurança, blockchains, computação quântica e as conectividades com outras Redes Nacionais de Ensino e Pesquisa (NRENs) ao redor do mundo”, afirmou.
O impacto prático dessa conexão foi sentido pelos próprios participantes. A mestranda em Ciência da Computação pela UFRGS, Marília Mimatos, destacou o valor do mapa como ferramenta de aproximação. “O mapa das conexões é muito interessante. Com as explicações, conseguimos acessar pessoas que trabalham na mesma área e no mesmo lugar que a gente. Hoje, conectar-se com alguém do mesmo ramo, fazendo a mesma pesquisa, é bem mais difícil”, relatou.
Parceria que se fortalece a cada edição
Para a organização do evento, a relação com a RNP é parte estruturante do SBSeg. Diogo Matos, coordenador-geral do SBSeg, avaliou a edição de 2026 como um sucesso e destacou o papel da parceria. “Tivemos diversos feedbacks positivos. O evento vem crescendo e apresentando discussões cada vez mais interessantes, com vários workshops e sessões técnicas. E ao longo dos anos, a parceria da RNP com o SBSeg se consolidou e se tornou fundamental para realizarmos um evento expressivo, seja no estande, na infraestrutura de internet ou no apoio financeiro”, afirmou.
Ao fim do SBSeg 2026, a RNP reafirma seu papel de conectar pesquisa, formação profissional, inovação e aplicação prática em segurança digital. Entre reuniões de comitês técnicos, artigos científicos, demonstrações ao vivo e o contato direto com a comunidade, o balanço aponta para uma troca com resultados significativos e fortes expectativas para novos capítulos nos próximos anos.