Profissionais da Rede Acadêmica de Uganda (RENU) passarão seis meses na RNP para conhecer infraestruturas de experimentação, desenvolver competências técnicas e preparar futuras iniciativas de redes abertas no país africano
A RNP está recebendo três profissionais da RENU para uma experiência de seis meses no Brasil: Benon Mugumbya, Nicholas Mugambe e Charles Kasasira. Durante o período, eles estão participando de uma capacitação com profissionais da RNP envolvidos no programa OpenRAN@Brasil, com atividades relacionadas a arquiteturas abertas e desagregadas de redes móveis, ambientes de experimentação, automação, orquestração, monitoramento e segurança.
A iniciativa integra a parceria firmada entre RNP e RENU durante o TNC 2025. O Memorando de Entendimento entre as instituições prevê cooperação em temas como Open RAN e 5G, redes programáveis, cibersegurança, capacitação profissional e criação de ambientes experimentais conjuntos.
O intercâmbio é financiado pela Norec, agência governamental norueguesa que apoia a mobilidade de profissionais e a cooperação entre organizações. A proposta foi construída conjuntamente por RNP e RENU.
Conhecimento para diferentes realidades
A aproximação começou após uma apresentação do OpenRAN@Brasil no Internet2 Technology Exchange. Representantes da RENU procuraram a equipe da RNP interessados nas possibilidades de aplicação do Open RAN para ampliar a conectividade em Uganda e nas pesquisas desenvolvidas no Brasil.
Para Lucas Bondan, coordenador de P&D da RNP, a troca permite desenvolver competências a partir do contato direto entre profissionais e pesquisadores dos dois países. “Para Uganda, a iniciativa representa uma oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre arquiteturas abertas de redes móveis, experimentar tecnologias e acompanhar a experiência brasileira no desenvolvimento e na pesquisa em Open RAN. Para o Brasil, a parceria amplia a perspectiva internacional das iniciativas da RNP e permite conhecer os desafios e as oportunidades existentes no contexto africano”, afirma.
Uganda ainda enfrenta dificuldades relacionadas à cobertura em áreas rurais, à infraestrutura disponível, ao fornecimento confiável de energia, à formação de profissionais especializados e ao custo da conectividade. Nesse cenário, redes mais abertas e flexíveis podem reduzir a dependência de um único fornecedor e favorecer o desenvolvimento de soluções adaptadas às necessidades locais.
Da operação de redes aos ambientes de experimentação
Benon Mugumbya é engenheiro de sistemas da RENU e trabalha com gestão de identidades e acessos, implantações nativas em nuvem e adoção de inteligência artificial. Durante o intercâmbio, pretende adquirir experiência prática com a arquitetura, a orquestração e os ambientes de teste do OpenRAN@Brasil.
“Meu objetivo é transformar os conhecimentos adquiridos em implementações concretas em Uganda. Com ambientes especializados de experimentação em redes abertas na RENU, universidades, pesquisadores e desenvolvedores locais poderão testar tecnologias e criar soluções adequadas à nossa realidade, com menor dependência de fornecedores”, explica.
Nicholas Mugambe atua como engenheiro da rede de backbone da RENU. Suas atividades incluem monitoramento de desempenho, resposta a incidentes, análise de causas, manutenção da infraestrutura e apoio à expansão da rede acadêmica de Uganda.
No Brasil, ele busca compreender todo o ecossistema de Open RAN, da arquitetura à implantação, passando pela operação, pelo monitoramento e pela segurança. Também está interessado na aplicação de inteligência artificial e aprendizado de máquina às redes Open RAN e na criação de testbeds capazes de apoiar diferentes projetos de pesquisa.
“O que mais me impressionou foi a capacidade da RNP de conectar pesquisa e implementação prática. A organização cria ambientes de teste, aproxima universidades e indústria, apoia a experimentação e ajuda ideias promissoras a se desenvolverem como soluções para a sociedade”, relata.
Charles Kasasira, engenheiro de software da área de DevOps da RENU, também destaca o contato com as infraestruturas, ferramentas e métodos utilizados pela RNP. Para ele, a experiência ajuda a relacionar os conceitos estudados com sua aplicação em redes reais.
“O intercâmbio não significa apenas aprender com o Brasil, mas também compartilhar o contexto e os desafios de Uganda. A partir dessas diferentes experiências, podemos identificar problemas comuns, realizar experimentos conjuntos e adaptar tecnologias a diferentes ambientes”, afirma.
Cooperação em duas direções
O projeto prevê uma segunda etapa, na qual profissionais brasileiros irão a Uganda. A continuidade permitirá que a equipe da RNP conheça diretamente as condições de infraestrutura e conectividade do país e trabalhe com a RENU na aplicação dos conhecimentos desenvolvidos durante o primeiro período.
A expectativa é que essa etapa apoie experimentos conjuntos, a validação de soluções em diferentes ambientes e a identificação de novas agendas de pesquisa e desenvolvimento. Mais do que reproduzir em Uganda o que foi criado no Brasil, a proposta é desenvolver respostas adequadas a cada contexto.
Os três profissionais também esperam compartilhar o aprendizado com colegas da RENU, universidades, estudantes e outras instituições da comunidade acadêmica ugandense por meio de capacitações, documentação, demonstrações e futuros projetos.
“Queremos que esse intercâmbio seja a base de uma parceria duradoura, com pesquisas conjuntas, novos intercâmbios técnicos, compartilhamento de experiências em testbeds e ferramentas de código aberto desenvolvidas pelas duas equipes”, resume Benon.
Além das atividades profissionais, a permanência no Brasil inclui a experiência de conhecer a cultura e a vida cotidiana do país. Nicholas se impressionou com a combinação entre as montanhas, o mar e a vida urbana do Rio de Janeiro. Charles, torcedor do Arsenal e do KCCA, encontrou no futebol um interesse compartilhado com os brasileiros. Benon, por sua vez, tem aproveitado a estadia para conhecer a culinária, a música e as paisagens locais.
Essa convivência também faz parte da construção da parceria. Ao aproximar profissionais com experiências e realidades distintas, o intercâmbio cria vínculos que podem sustentar novas pesquisas, experimentos e soluções desenvolvidas conjuntamente por RNP e RENU.
Na imagem, da a esq. para a dir: Cesar Gama (Analista de Serviços da Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação), Charles, Benon, Nicholas no PoP RNP-RJ.