Parceria com o Instituto Catitu, no âmbito do projeto Cinemas em Rede, contribui para a qualificação de exibidores e valoriza a produção audiovisual de mulheres indígenas
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) apoia o lançamento de duas publicações da Rede Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas, no dia 17 de setembro, às 14h30, no Cine Brasília, durante o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A atividade tem entrada gratuita e apresentará uma pesquisa sobre o cinema realizado por mulheres indígenas no Brasil e um documento com orientações para relações éticas entre o setor audiovisual e os povos indígenas.
O apoio acontece por meio de uma parceria com o Instituto Catitu, no âmbito da rede de colaboração Cinemas em Rede. A RNP articulou o espaço para o lançamento e viabilizou a participação das cineastas na atividade, que reunirá realizadoras e autoras para uma conversa sobre os resultados do mapeamento, os modos indígenas de fazer cinema e as relações de trabalho no setor.
Serão lançadas as publicações Ler o vento, filmar o mundo: pesquisa-mapeamento do cinema das mulheres indígenas no Brasil e Diretrizes para um Audiovisual Ético com Povos Indígenas. Participam da mesa Barbara Matias Kariri, Larissa Ye’padiho Mota Duarte, conhecida como Larissa Tukano, Moiara Kaxuyana e Mari Corrêa, com mediação da professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Clarisse Alvarenga.
Cinemas universitários e a circulação da produção indígena
A iniciativa se conecta à atuação do Cinemas em Rede, que reúne cinemas e exibidores de organizações usuárias da RNP para compartilhar experiências técnicas, práticas de gestão das salas e atividades de programação. Entre os participantes estão a Sala Redenção, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Cine Arte UFF, o Saladearte da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o Cine UFPel (Universidade Federal de Pelotas), o Cine Metrópolis da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) dentre outras.
“É nestas salas que parte considerável da produção audiovisual brasileira é exibida, encontrando assim seu público. A RNP vem trabalhando com estes exibidores, entendendo suas demandas por serviços e soluções em TICs, bem como o papel que desempenham na formação de alunos, na pesquisa e na extensão”, afirma o gerente de Relações Institucionais da RNP, Alvaro Malaguti,
Um exemplo dessa atuação foi o ciclo Outros cinemas ameríndios: novos olhares sobre a produção audiovisual indígena, realizado em parceria com o grupo de pesquisas Poéticas Ameríndias.
Segundo Malaguti, o mapeamento da Rede Katahirine aponta que 58,3% da circulação da produção audiovisual das cineastas entrevistadas acontece nas universidades. Esse cenário motivou a parceria para o lançamento das publicações. “Com isso, a RNP e o Cinemas em Rede buscam contribuir na qualificação dos cinemas e exibidores que integram esta rede de colaboração”, explica.
Pesquisa mapeia produção e desafios das cineastas indígenas
A pesquisa Ler o vento, filmar o mundo ouviu 60 cineastas de 40 povos, provenientes de todas as regiões do país, entre as quais estão falantes de 35 línguas indígenas. O levantamento reúne informações sobre seus modos de produção, necessidades e expectativas, com o objetivo de subsidiar políticas e ações voltadas ao cinema de mulheres indígenas.
Os resultados apontam desafios de financiamento e preservação das obras. Entre as entrevistadas, 81,7% já apresentaram filmes em mostras ou festivais, mas 71,7% relataram ter começado a ler um edital e desistido de concorrer. Além disso, 65% já perderam algum material audiovisual. Burocracia, requisitos de participação e linguagem dos editais estão entre as barreiras identificadas.
Já as Diretrizes para um Audiovisual Ético com Povos Indígenas foram construídas a partir das experiências de mulheres indígenas em produções, festivais, curadorias e instituições. Destinado a profissionais e organizações do setor, o documento propõe relações baseadas na escuta, na reciprocidade, na remuneração justa e no reconhecimento dos modos indígenas de fazer e pensar cinema.
Criada em 2022, a Rede Katahirine atua na articulação, formação e valorização da produção audiovisual de mulheres indígenas. Sua trajetória está ligada ao Instituto Catitu, que trabalha com formação e produção audiovisual junto aos povos indígenas.
Lançamento das publicações da Rede Katahirine
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 14h00
Local: Cine Brasília (EQS 106/107, Área Especial, s/nº – Asa Sul, Brasília)
Programação: 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Entrada: gratuita