CAIS-RNP assume posição de Co-Chair do grupo de Cibersegurança da Global Digital Health Partnership 

setembro 15, 2026
Home 9 Noticias 9 CAIS-RNP assume posição de Co-Chair do grupo de Cibersegurança da Global Digital Health Partnership 

A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), por meio da sua área de Inteligência em Cibersegurança, CAIS-RNP, amplia sua atuação internacional em cibersegurança ao assumir a exclusiva posição de Co-Chair do Cyber Security Work Stream da Global Digital Health Partnership (GDHP), sendo o terceiro membro do grupo com esse título. A iniciativa reúne mais de 40 países e organizações internacionais para discutir desafios e oportunidades relacionados à segurança cibernética na área da saúde. 

A participação coloca a experiência brasileira em um espaço internacional de discussão sobre um tema cada vez mais estratégico: como proteger sistemas, dados, dispositivos e serviços de saúde diante do crescimento e da sofisticação das ameaças cibernéticas.  

Mais do que uma posição de representação, o papel de Co-Chair envolve a condução dos trabalhos do grupo.  Entre as atribuições estão ajudar a definir a agenda de discussões, conduzir sessões, coordenar a produção de documentos e recomendações, articular o trabalho com outros grupos temáticos da GDHP e representar os integrantes do grupo em tratativas com outras organizações e iniciativas internacionais. 

Experiência brasileira ganha espaço no debate global 

A escolha do CAIS-RNP para a função está relacionada à experiência acumulada durante sua operação contínua, que perdura desde 1997. O CAIS nasceu como um dos primeiros CSIRTs (Computer Security Incident Response Teams) do Brasil e é hoje um dos mais antigos em operação contínua no país. 

Ao longo de décadas, evoluiu além da resposta a incidentes e acumulou competências em todas as frentes da Segurança da Informação: governança e gestão de riscos, segurança de infraestrutura, análise de vulnerabilidades e defesa, conformidade regulatória e conscientização, projetos estruturantes e arquiteturas resilientes, monitoramento contínuo, inteligência de ameaças e proteção de dados, além de construir capacidade nas instituições atendidas. A coordenação da resposta a incidentes na rede acadêmica nacional segue como uma de suas atuações, agora sustentada por esse conjunto mais amplo de capacidades. 

A infraestrutura atendida pela RNP é de nível continental e reúne universidades, institutos de pesquisa e hospitais universitários federais, conectando e protegendo instituições com diferentes níveis de maturidade tecnológica e de segurança. 

A atuação institucional da organização também contribui para essa participação. A organização integra o Programa Interministerial, com participação do Ministério da Saúde, o que fortalece sua interlocução tanto com a comunidade técnica quanto com iniciativas relacionadas à saúde digital e às políticas públicas. Além disso, profissionais CAIS-RNP acumulam experiências específicas em segurança da informação aplicada ao setor de saúde. 

Por que a cibersegurança é tão importante para a saúde? 

A transformação digital trouxe ganhos importantes para a saúde, mas também aumentou a dependência de sistemas conectados. Em hospitais, prontuários, exames, equipamentos médicos e outros recursos digitais fazem parte da rotina de atendimento. Quando esses sistemas ficam indisponíveis, o impacto pode ultrapassar a área de tecnologia e afetar diretamente a continuidade do cuidado. 

Um dos principais riscos é o Ransomware, ataque em que cibercriminosos bloqueiam ou criptografam sistemas e arquivos e exigem pagamento para liberar o acesso. No setor de saúde, a urgência para restabelecer serviços essenciais pode aumentar a pressão sobre as instituições. Além disso, os dados de saúde são extremamente sensíveis: prontuários, diagnósticos, exames e históricos de tratamento podem ser usados para extorsão ou comercializados ilegalmente. 

A proteção também é complexa porque os hospitais reúnem sistemas administrativos, aplicações clínicas, dispositivos médicos conectados e equipamentos com ciclos de vida longos, nem sempre fáceis de atualizar ou substituir. Soma-se a isso a dependência de fornecedores e a diferença de infraestrutura entre as instituições, que nem sempre contam com equipes especializadas em segurança. 

Com a expansão da interoperabilidade e o uso de novas tecnologias, como a inteligência artificial, esses desafios tendem a crescer. Por isso, cibersegurança em saúde é uma questão de continuidade do cuidado, proteção de dados e resiliência de todo o sistema, e exige cooperação entre instituições, setores e países. 

CAIS-RNP: de participante a protagonista 

A atuação como Co-Chair representa uma mudança importante na forma como o Brasil participa do debate internacional sobre cibersegurança em saúde. 

Historicamente, boa parte das recomendações e boas práticas produzidas internacionalmente chega ao país depois de formulada a partir de realidades institucionais, regulatórias e econômicas diferentes das brasileiras. 

Agora, a experiência nacional passa a fazer parte diretamente da construção desses materiais. 

A participação do CAIS-RNP permite acesso antecipado às discussões sobre tendências de ameaças, incidentes relevantes e abordagens regulatórias, além da possibilidade de influenciar os produtos desenvolvidos pelo grupo. 
 

A troca de experiências fortalece a cibersegurança em saúde 

A proposta no Cyber Security Work Stream é contribuir para o compartilhamento de inteligência de ameaças entre países, a coordenação de incidentes e a produção de materiais que possam ser aplicados por instituições com diferentes níveis de maturidade. 
 
Essa abordagem parte de uma experiência que o CAIS-RNP já vivência há quase 30 anos na rede acadêmica brasileira: instituições com estruturas, equipes e recursos muito diferentes precisam atuar de forma coordenada para responder a ameaças que ultrapassam os limites de cada organização. 

A participação como Co-Chair também permite a RNP levar ao debate internacional uma perspectiva brasileira. O país possui um sistema de saúde universal e de dimensão continental, com instituições de capacidades muito distintas. Portanto, a experiência brasileira em proteção de dados, interoperabilidade, infraestrutura de saúde digital e resposta a incidentes contribui muito para essa discussão. 

Ao mesmo tempo, a participação no GDHP permite conhecer experiências de outros países em temas como segurança de dispositivos médicos, requisitos para fornecedores, notificação de incidentes e responsabilização na cadeia de fornecimento. Esse intercâmbio possibilita avaliar essas práticas e, quando pertinentes, adaptá-las à realidade brasileira, fortalecendo a segurança do setor no país. 

Segurança para um setor cada vez mais digital 

A transformação digital da saúde cria oportunidades importantes para ampliar o acesso, melhorar processos e apoiar profissionais e pacientes. Ao mesmo tempo, aumenta a dependência de sistemas conectados e de dados digitais. 

A expansão do uso de inteligência artificial acrescenta uma nova camada a esse cenário, com desafios relacionados à integridade de modelos, aos dados utilizados em seu desenvolvimento e à segurança de aplicações que podem participar de processos assistenciais. 

Nesse contexto, a cibersegurança deixa de ser uma questão restrita às equipes de tecnologia e passa a fazer parte da própria estratégia de continuidade dos serviços de saúde. 

É também por isso que a participação do CAIS-RNP na GDHP representa uma oportunidade de levar para o debate global uma experiência construída ao longo de décadas no Brasil e, ao mesmo tempo, aproximar a comunidade nacional das discussões que estão moldando o futuro da segurança em saúde digital. 

Para a RNP, assumir a condução do Cyber Security Work Stream também representa o reconhecimento de uma trajetória construída desde a década de 90, quando o CAIS começou a atuar na resposta a incidentes de segurança na rede acadêmica brasileira. 

Agora, essa experiência passa a contribuir para uma missão que ultrapassa fronteiras: a construção coletiva de um ambiente digital de saúde mais seguro, resiliente e preparado para atender às necessidades de segurança das nossas instituições.